Durante um ameno dia de outono em Vancouver, Canadá, um jovem rapaz deseja caminhar a luz do sol, mas decide não fazê-lo.
É muito mais fácil para ele ficar em seu quarto de hotel, encasulado no luxo cinco estrelas, com um celular sem bateria, a salvo ao menos das garotas entoando o seu nome do lado de fora.
Robert Pattinson, 23 anos, de Barnes no sudoeste de Londres, deveria ainda ser um dos lindos sonhadores de Hollywood, estabelecendo-se como ator de cinema, aproveitando a sua aventura americana, seu violão, sua boa aparência. Ao invés disso, ele vive com o perigo de ser esmagado por uma debanda de amor adolescente. Ele interpreta o vampiro Edward Cullen na saga Crepúsculo, o maior fenômeno em adaptação de livros para telas desde Harry Potter – no qual, a propósito, Pattinson foi Cedrico Digorry, o menino de ouro, herói e vítima de Voldemort. Cara, a vida dele mudou desde Hogwarts.
No Canadá, ele estava filmando Eclipse, o terceiro dos quatro romances de Stephenie Meyer. O segundo, Lua Nova, estreou esse mês com uma extravagância publicitária, que incluiu fechar a Times Square de Nova York. Na última vez que o ator esteve lá, a Time Square também foi fechada para trânsito, para um evento apenas marginalmente mais fascinante para o mundo: a vitória de Barack Obama nas eleições. Nós conversamos por telefone. Mesmo agora, um ano após o lançamento de Crepúsculo, Pattinson parece completamente abismado pela histeria em volta dele.
“Tem sido um pouco assustador”, ele ri, um riso um pouco constrangido, o som de uma pessoa discutindo a melhor ponta de sorte que já teve, não querendo soar blasé ou excitado além da conta. “Na Inglaterra, ninguém havia ouvido sobre a série quando eu fui para a audição, então foi uma total, completa surpresa. A mudança na minha vida cotidiana foi extrema. Antes disso, eu costumava trabalhar dez dias por ano. Inicialmente, eu fiz um acordo para três filmes, mas eu nem estava pensando naquilo. Eu não tinha idea de que ainda estaria trabalhando nisso agora”.
Será que o pobre garoto, que ainda chama Londres de lar, sente que precisa se esconder? “Eu costumo ficar no hotel, pois o lugar onde eu estou é divulgado o tempo todo. Há sempre várias pessoas do lado de fora. Eu realmente não posso ficar em Los Angeles de forma nenhuma. Não é que os fãs sejam ameaçadores, mas os paparazzi me seguem a noite inteira”. Essa perseguição pode provocar uma absurda compaixão, considerando a sorte e perspectivas do garoto. Mas aí ele se anima, dizendo que estava comprando um violão no outro dia e precisou soletrar o próprio nome doze vezes e o cara ainda não entendeu “Eu amei aquilo”.
Quando leu o primeiro roteiro, ele não tinha ideia de como interpretar aquilo. “Eu pensei que a Bella, a heroína, seria uma donzela em perigo e eu teria que ser o tipo super herói, então eu achei que nunca fosse conseguir. Mas quando eles escolheram Kristen Stewart e ela não é realmente dessa forma, eu percebi que havia uma forma diferente de interpretar Edward, de mostrar a vulnerabilidade dele”. Ele poderia ficar preso e encontrar dificuldade para interpretar outros tipos de personagens?
“Isso me preocupa, pois toda a coisa de Crepúsculo continua ficando maior e maior, e agora está tão grande, até o meu próprio ego não pode superar isso. Você pode lidar mentalmente com uma certa quantidade de sucesso, mas há um ponto em que você pensa: ‘Jesus Cristo, o que é isso? Eu não sou assim tão bom!’, eu só queria fazer um filme americano, e eu queria que ele fosse relativamente bom e ser bom nele. Eu nunca pressionei para fazer nada. Assim que você começa a ir à academia todos os dias e começa a parecer como uma estrela de cinema, você entra em uma faixa perturbadora”, ele ri. “Sendo um cara Inglês, você tem um desconto bem maior. Você pode parecer um pouco pior. É aquela coisa sobre o dente dos ingleses”.
Dizer que Lua Nova é ansiosamente esperado é como dizer que o Papa poderia usar um milagre. Além disso, Lua Nova parece ter o dobro de hormônios de Crepúsculo, já que oferece dois caras bonitões pelo preço de um.
Pattinson está constrangido em ter milhões de garotas apaixonadas por ele? “O único momento em que embaraçoso é quando você faz um photo shoot e as pessoas te forçam a parecer nos trinques”, ele diz. “Quando eles usam fotos onde você está sorrindo docemente e está de cabelo escovado, pois não é por isso que você quer ser conhecido. Eu não sei realmente porque as garotas amam tanto esse filme. A série virou um pouco Cult. As pessoas gostam de fazer parte do clube. Elas estão obcecadas”.
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
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